sábado, 12 de janeiro de 2013

When I'm Sixty-Four

Hoje falo de uma música simples, agradável e acessível: "When I'm Sixty-four". Escrita por Paul McCartney quando este tinha apenas 16 anos, a sua letra pode ensinar-nos como um jovem pode saber exactamente que quer assumir um compromisso e como aproveitar pequenas coisas para o conseguir. Acima de tudo, esta pequena canção ensina-nos algo que se perdeu nesta minha geração e que nunca se devia ter perdido: O valor da família. O companheirismo entre marido e mulher, ou simplesmente entre parceiros. Numa geração onde metade ou mais de metade dos casais se divorciam, é difícil instituir bons valores em relação a estar numa relação. Não é habitual ouvir alguém dizer que é preciso dedicarmo-nos a amar e a cuidar de outra pessoa; que é preciso pôr o orgulho de parte e ter muita paciência, pois vamos perdê-la muitas vezes e ter de aprender que a outra pessoa é mais importante do que as nossas teimosias; que é preciso ter noção de que, se queremos casar e assumir um compromisso sério e constituir família com alguém, o compromisso será para sempre e ambos terão de fazer os possíveis e os impossíveis para conseguir alcançar isso. Há quem ouça isto se perguntar a um casal de velhinhos (digo isto com carinho e não em tom pejorativo), casado há 50 anos, como conseguiu fazer o casamento resultar. Pessoalmente, eu aprendi isto ao ouvir esta mesma música e a aplicar em situações hipotéticas os valores aqui descritos.

 

A letra é, resumidamente, uma carta de um jovem à sua namorada, propondo que ambos fiquem juntos, tendo uma vida pacata, mas agradável e completa. Se virmos a letra um pouco mais ao pormenor, podemos ver o que já referi acima.

"When I get older losing my hair,
Many years from now,

Will you still be sending me a valentine
Birthday greetings bottle of wine?"

 Na primeira estrofe temos a pergunta de, se daqui a muitos anos, ainda vão atentar a pequenas coisas como um cartão do dia dos namorados ou uma garrafa de vinho num dia especial, o que mostra dedicação mesmo após uma vida quase inteira juntos.

"If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door?"

 Logo de seguida, expõe a possibilidade de ele fazer algo mal e sair até muito tarde (embora nos dias de hoje já não nos pareça tão tarde assim), será que ela lhe fecharia a porta de vez, ou será que perdoava? O que leva à paciência e ao ter de ceder e perdoar muitas vezes.

"You'll be older too,

And if you say the word,

I could stay with you."


 E agora, algo que muita gente parece não se aperceber: ao evelhecer ao lado de alguém, também nós vamos envelhecer.Também nós vamos ter manias, errar, refilar, ter todas as nossas falhas. Também nós vamos ficar mais envelhecidos fisicamente. Não é justo trocar alguém por um "modelo mais novo" apenas por a pessoa com quem se tinha comprometido estar a entrar numa outra fase. Ambos passam por isso e deviam aprender a envelhecer em conjunto e a apreciar fazê-lo.

O resto da música é apenas a mostrar como se pode ter uma vida bastante preenchida apenas ao lado de outra pessoa. O apreciar coisas simples, como o passar férias num local não muito caro, pois se precisa de poupar, não fazendo com  que deixasse de ser agradável, pois estariam na companhia um do outro. Ou o estarem a tratar do jardim já com os netos a brincar perto deles, olhando os dois para a vida a dois que construíram.

E claro, o refrão, repetido ao longo da música:
"Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?"
O precisar da pessoa. Por muito que se diga que dependência numa relação não é saudável, eu penso que é também necessária. Não uma dependência extrema, mas é importante sentir que se precisa e ser quer estar com aquela pessoa. Faz apreciar um pouco mais tudo o que essa pessoa faz, por a falta dela se sentir tanto dessa forma. E isso leva a que se faça tudo sem esforço para que se fazer a cara-metade feliz. 


E afinal, há alguém que, quando encontra alguém realmente especial, não deseje que seja mesmo assim, até que a morte os separe? Por muito incrível que pareça, é perfeitamente possível, basta que cada um assim o queira. O Paul McCartney escreveu tudo isto aos 16 anos e manteve todos estes valores na sua vida adulta. Lembremo-nos que, antes de todo o escândalo de divórcio, Paul McCartney teve um casamento duradouro e feliz, tal como retrata esta pequena carta em canção, com a sua primeira mulher Linda, até esta falecer em 1998. Se toda a gente aprender isto, quase toda a gente poderá ser feliz ao lado de quem mais gosta.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Para o começo de um ano difícil

Para quem vive em Portugal, este será um ano quase impossível. Será um ano de dificuldades, de fome, de desespero. Ninguém é capaz de solucionar este problema, ou quem o é escolhe não o fazer. Mas começar um novo ano com medo e com uma atitude derrotista está longe do ideal. Por norma, não incentivo este tipo de atitude positiva sem razão para tal, contudo, já que o ano vai ser duro, porque não começar bem e divertirmo-nos antes de ele se tornar pior? Um ano mau pode ter à mesma boas experiências e momentos algo agradáveis. Por isso, na missa de hoje, apresento uma música que transmite esse mesmo sentimento de esperança de que possa haver algo bom no meio de um Inverno rigoroso. Intitula-se "Here Comes the Sun", do álbum "Abbey Road" de 1969.
 
A letra fala do final de uma era desagradável e fria e no começo de uma nova, repleta de sorrisos e sol. Pode parecer um nadinha foleiro, no entanto, o refrão dá-nos um conselho importante: quando algo bom aparece, devemos aceitá-lo e aproveitá-lo ao máximo. Quem sabe se, no fim de um ano de puro terror económico, não acontece algo melhor que faça quebrar o gelo? Pode ser pouco provável, mas pode acontecer. E se acontecer, I'll say:


"It's alright"

O início do Beatleanismo

O Beatleanismo é uma religião que fomenta o culto da banda "The Beatles". Surgiu de uma vontade de criar um grupo de pessoas que venerem e aprendam com uma entidade comum, sem que isso entre em conflito com mais nada. No fundo, uma religião que em nada interfere com outras religiões, mas que fornece todos os aspectos positivos de uma religião: bons valores, esperança, compreensão, alegria, uma solução para os momentos mais negros. É esse o objectivo do Beatleanismo. Através da análise das suas músicas, das letras, dos álbuns no geral, aprender e encarar o dia-a-dia com mais confiança e calma. Tornar um pouco mais agradável a insanidade pela qual toda a gente passa de tempos a tempos. E, claro, apreciar o génio musical de 4 jovens de Liverpool que marcaram muito mais do que apenas uma geração.